Figueira de Castelo Rodrigo e as Histórias do Contrabando

Figueira de Castelo Rodrigo e as Histórias do Contrabando pertence ao distrito da Guarda e, como fica por isso claro, está situada muito próximo da fronteira com Espanha, também conhecida como a Raia.
Desde tempos imemoriais que o ser humano passa produtos de um lado para o outro de forma considerada ilícita pelas autoridade.
Quer seja por serem produtos proibidos, quer seja por proibições a nível das trocas comerciais, quer seja, e muitas vezes era este o caso, para negociar à margem das leis de mercado e de finanças.

O contrabando entre Portugal e Espanha teve os seus momentos altos no século XIX e durante a Guerra Civil Espanhola, quando nesta região se tolerava o contrabando quase como se fosse um emprego como outro qualquer.

Figueira de Castelo RodrigoA Guarda Fiscal tinha a região raiana dividida em zonas de intervenção e Figueira de Castelo Rodrigo estava incorporada na Zona de Intervenção de Vilar Formoso.

Utilizando caminhos por montanhas e vales, sempre a medo da Guarda Fiscal, que andava armada e não hesitava em atirar a matar, os contrabandistas conseguiram muitas vezes sustentar populações dos dois lados da fronteira que padeciam com guerras e perseguições.

No século XIX o fluxo era tendencialmente de Espanha para Portugal, com os produtos contrabandeados principais a serem o gado bovino, cereais, tecidos, peles, vinho e aguardente.
Antes da Guerra Civil Espanhola os produtos mais cobiçados eram o açúcar e o azeite, artigos de perfumaria e têxteis, botas de borracha, bebidas espirituosas e sapatos de cabedal.
Durante a Guerra Civil, e com uma relativa estabilidade em Portugal, o fluxo inverteu-se e os contrabandistas levavam de Portugal para Espanha produtos de primeira necessidade como o pão, a carne, batatas, açúcar, café, sabão, tabaco, azeite, arroz e grão.

Muitos dos caminhos utilizados nesses tempos idos pelos contrabandistas fazem hoje parte da atrativa rede de trilhos pedestres de Figueira de Castelo Rodrigo.